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Macaé celebra o Dia Nacional do Choro com música, memória e identidade cultural – Notícias de Itaperuna e Região

O Dia Nacional do Choro foi celebrado em Macaé nesta quinta-feira (23), no Anfiteatro Antônio Alvarez Parada, em Imbetiba, reunindo o público em uma homenagem a um dos gêneros mais tradicionais da música brasileira. O evento tem a produção do Desvendando Macaé com Eu Amo Imbetiba, com o apoio da Prefeitura de Macaé, por meio das Secretarias de Cultura e Turismo e do gabinete do vereador Edson Chiquini. A apresentação dos músicos destacou obras de grandes nomes como Pixinguinha e Viriato Figueira da Silva, além de valorizar a identidade local do choro.
O músico Rúben Pereira, também memorialista e especialista na história de Macaé e da música brasileira, e a turismóloga e produtora cultural Grazielle Heguedusch falaram sobre a relação de história, memória e música de Macaé e choro, junto aos convidados musicais.

– É importante destacar que a gente está em plena passagem dos 100 anos de Antônio Álvares Parada – ressaltou Rúben Pereira, citando que Viriato Figueira da Silva, flautista, que nasceu em Macaé em 1851, foi revelado por Tonito nos anos 80.
“O Tonito foi o responsável nas suas pesquisas de memória, de história local e regional de revelar o Viriato para Macaé. E hoje em dia o Viriato, depois de diversas pesquisas de muitos musicólogos, é considerado um dos pais do Choro do Brasil, junto com Joaquim Calado, tanto que os dois estão enterrados no Rio de Janeiro no mausoléu dos pais do Choro”, contou.

Segundo ele, é de uma importância muito grande, em plenos 100 anos do Tonito, ocupar o Anfiteatro Antônio Álvares Parada para celebrar o Dia do Choro e abordar Viriato Figueira da Silva, além do Benedito.

“Então essa união do Tonito, memória local, história regional, com Viriato, com choro, com essa celebração, é o grande mote para inspiração e emoção que tomam conta da nossa apresentação”, esmiuçou.

Celebração valoriza tradição do choro

– Eventos como o Dia Nacional do Choro são fundamentais porque transformam o patrimônio em experiência concreta e acessível. Eles materializam a memória em um espaço de encontro, onde música, território e público se conectam de forma direta. Ao ocupar espaços públicos com apresentações gratuitas e abertas, Macaé promove democratização cultural e amplia o acesso à sua própria história – comentou Grazielle Heguedusch.

De acordo com ela, essa vivência tem um impacto direto na visitação cultural, porque cria interesse, desperta curiosidade e posiciona a cidade como um destino que valoriza e preserva sua identidade.

“O Choro, enquanto patrimônio reconhecido e admirado dentro e fora do Brasil, se torna um elemento potente de atração, especialmente quando associado a nomes históricos como Pixinguinha, que confere legitimidade e alcance à narrativa”, avaliou.

Música e memória conectam público e cidade
Nesse contexto, segundo ela, ganham ainda mais visibilidade figuras como Viriato Figueira da Silva (1851-1883) e Benedicto Lacerda (1903-1958), cujas trajetórias projetaram o Choro para além das fronteiras locais, inserindo Macaé em uma rede mais ampla da música brasileira. Ao mesmo tempo, esse reconhecimento não se limita à memória desses nomes consagrados.
“Ele se estende aos músicos macaenses que seguem no território, mantendo viva a prática do Choro, ensinando, pesquisando e criando, garantindo assim a salvaguarda ativa desse patrimônio”, enalteceu, expressando que dessa forma, Macaé fortalece sua identidade cultural, fomenta o pertencimento social e se posiciona como um território que valoriza suas raízes e investe na preservação viva de sua cultura.

“O resultado é uma cidade que convida não apenas a ser visitada, mas a ser compreendida e vivida a partir de sua memória, de sua música e de sua gente”, completou Grazielle Heguedusch.

A turismóloga analisa que o choro é uma das mais sofisticadas expressões da música brasileira e possui reconhecimento em âmbito nacional e internacional como um patrimônio cultural que traduz a formação social e artística do país.

“Em Macaé, essa história não é periférica, ela é constitutiva. A cidade está intrinsecamente ligada à criação e à disseminação do gênero por meio de figuras como Viriato Figueira da Silva e Benedicto Lacerda, que ajudaram a projetar o Choro para além do território local, alcançando o cenário nacional e dialogando com o mundo”, apontou.

Macaé na história do gênero brasileiro
Para ela, quando o Choro é reconhecido como patrimônio pelo IPHAN, ele deixa de ser apenas um gênero musical e passa a ser entendido como um bem coletivo, carregado de memória, identidade e pertencimento.

“Em Macaé, isso ganha ainda mais força porque essa história não está apenas no passado. Ela continua sendo escrita por músicos, pesquisadores e fazedores de cultura que permanecem no território, guardando, atualizando e disseminando essa tradição”, assinalou.

De acordo com Grazielle, para os moradores, o Choro fortalece o sentimento de pertencimento e de reconhecimento de uma história que é própria, construída por macaenses e muitas vezes invisibilizada diante de outras narrativas.

“Para os turistas, ele revela uma cidade que vai além dos estigmas econômicos e se apresenta como um território de cultura viva, onde a memória se manifesta na prática, no som e no encontro entre gerações”, frisou.

Patrimônio cultural que segue vivo
Para o músico, professor e compositor Zé Rangel, que também se apresentou, a celebração do Dia do Choro reforça a relevância do gênero para a cultura brasileira.

“Como músico, professor e compositor — inclusive de choro — considero muito importante comemorar essa data, já que se trata de um gênero fundamental para a música brasileira e de altíssimo nível”, afirmou.

Ele também salientou o orgulho pela contribuição de Macaé à história do choro.

“Como macaense, fico feliz em saber que minha cidade revelou dois grandes nomes que foram essenciais para a criação e o desenvolvimento do gênero, como Viriato Figueira da Silva, um dos pais do choro e importante flautista do século XIX, e Benedicto Lacerda, um dos maiores flautistas do Brasil e parceiro do genial Pixinguinha”, observou.
Thiago Reis
Estudante de jornalismo, atua sob supervisor Editor chefe. Cobre Itaperuna, interior do Rio, times do Rio.