Com o tema “Trabalho Dignifica?”, o Cinema Comentado deste mês terá edições nos dias 12 e 26 de maio (terça-feira), às 9h. Após as sessões gratuitas e abertas ao público, haverá bate-papo com os participantes. A ideia é propor reflexões sobre o Dia do Trabalhador, celebrado em maio.
A primeira edição irá exibir o filme “Trabalhar Cansa”, de Juliana Rojas e Marco Dutra. Nesta obra, o trabalho aparece como experiência difusa e inquietante. Ao acompanhar uma pequena empreendedora que investe num negócio próprio, o filme desmonta a narrativa do empreendedorismo como emancipação. O que emerge é um regime de autoexploração, onde a insegurança constante, o medo do fracasso e a instabilidade econômica produzem uma atmosfera quase fantasmagórica. O espaço de trabalho deixa de ser apenas local de produção para tornar-se um território psíquico, onde o sujeito é atravessado por forças que excedem seu controle. A promessa de autonomia revela seu avesso: solidão, desgaste e vigilância permanente de si.
Já na segunda edição será “Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar”, de Marcelo Gomes. Ambientado em Toritama, polo de produção de jeans no agreste pernambucano, o documentário apresenta uma comunidade inteiramente organizada pelo trabalho contínuo. Aqui, a ideia de “ser dono do próprio tempo” se converte em adesão total ao ritmo produtivo, dissolvendo as fronteiras entre trabalho e vida. O Carnaval para eles surge como uma suspensão rara e quase utópica — não apenas festa, e sim possibilidade de interrupção, de respiro, de reconquista do tempo como experiência.
O curador do projeto, Gerson Dudus, comenta que a homenagem ao trabalhador não se realiza pela celebração, mas pela crítica. “Ao juntar as duas obras, este ciclo propõe uma leitura do trabalho contemporâneo como um sistema que desloca a exploração do plano coletivo para o interior do indivíduo e, simultaneamente, a expande para toda a vida social. Se em outros momentos históricos o trabalho ainda permitia a construção de identidades compartilhadas e horizontes de luta, aqui ele se apresenta como fluxo contínuo, fragmentado e internalizado”, avalia.
O Solar dos Mellos fica localizado na Rua Conde de Araruama, 248, Centro.
Já na segunda edição será “Estou Me Guardando para Quando o Carnaval Chegar”, de Marcelo Gomes. Ambientado em Toritama, polo de produção de jeans no agreste pernambucano, o documentário apresenta uma comunidade inteiramente organizada pelo trabalho contínuo. Aqui, a ideia de “ser dono do próprio tempo” se converte em adesão total ao ritmo produtivo, dissolvendo as fronteiras entre trabalho e vida. O Carnaval para eles surge como uma suspensão rara e quase utópica — não apenas festa, e sim possibilidade de interrupção, de respiro, de reconquista do tempo como experiência.
O curador do projeto, Gerson Dudus, comenta que a homenagem ao trabalhador não se realiza pela celebração, mas pela crítica. “Ao juntar as duas obras, este ciclo propõe uma leitura do trabalho contemporâneo como um sistema que desloca a exploração do plano coletivo para o interior do indivíduo e, simultaneamente, a expande para toda a vida social. Se em outros momentos históricos o trabalho ainda permitia a construção de identidades compartilhadas e horizontes de luta, aqui ele se apresenta como fluxo contínuo, fragmentado e internalizado”, avalia.
O Solar dos Mellos fica localizado na Rua Conde de Araruama, 248, Centro.

