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Poesia e música contra a discriminação racial são apresentadas no primeiro Sarau Anayia – Notícias de Itaperuna e Região

Com o poema ‘Padê de Exu Libertador’, de Abdias Nascimento – poeta, artista plástico, teatrólogo, senador e ativista pelo direito dos negros (falecido em 2011) – foi aberto o Sarau Anayia. O evento ocorreu na noite de sábado (21), no Centro Cultural Rinha das Artes, Centro da cidade. ‘Anayia’ é um nome de origem iorubá que significa ‘olhos voltados para o horizonte’.
O Sarau Anayia, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura, celebrou simultaneamente o Dia da Poesia, o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé (Lei nº 14.519/2023) e o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, comemorados em 21 de março. No encontro, foram lidos Orikis traduzidos do Iorubá por Antônio Risério, antropólogo, poeta e pensador da cultura baiana.
Os poetas da Academia Macaense de Letras: Rildo Loureiro, Conceição de Maria Rosa, Tay Joventino, Andréa Pessanha e Aurora Pacheco participaram do sarau, além da Banda Pra Maria, um coletivo musical familiar nascido no bairro macaense Botafogo. A Banda Pra Maria é formada por Chris Guimarães (vocal), Fernando Guimarães (bateria), Hygor Carvalho (percussão), Eduardo Frota (percussão), Nilson Leopoldino (cavaco) e André Araújo (pandeiro). A idealizadora do grupo dedicado ao resgate do samba raiz e das músicas sacras das religiões de matriz africana é Maria Erli Mendonça.
O nome da banda reverencia as matriarcas ancestrais presentes nas famílias brasileiras. Segundo a idealizadora, as Marias sustentam a memória, a fé e a cultura ao longo das gerações. O show foi aberto por uma Ramunha para comunicar o início do ‘Xirê’. Os poemas declamados abordaram temas como a condição do negro no país, a discriminação, a superação da mulher negra, além de religiosos e pessoais.
“A Banda Pra Maria tem um propósito muito interessante, um samba de louvação às raízes espirituais africanas do candomblé. Os poetas apresentaram suas obras autorais, alguns com uma relação maior com a poesia Slam (batalha de poesia falada) e outros voltados para a poesia escrita. O poeta Rildo Loureiro contou a história do terreiro macaense que completa cem anos e de Dona Doca, que abriu o terreiro em 1926”, ressalta o produtor cultural, curador de projetos e da Galeria Hindemburgo Olive da Secretaria de Cultura de Macaé, Gerson Dudus.
Thiago Reis
Estudante de jornalismo, atua sob supervisor Editor chefe. Cobre Itaperuna, interior do Rio, times do Rio.