A Galeria Hindemburgo Olive, no Centro de Macaé, abriu a programação de exposições de 2026 com a mostra Corpos Bacantes, do artista plástico Ignacio Zamudio Ordonez e curadoria de Gerson Dudus. A exposição foi inaugurada na quarta-feira (4) e segue em cartaz até o dia 21 de fevereiro, com visitação de segunda a sexta-feira, das 8h30 às 17h.
“A abertura da programação de 2026 da Galeria Hindemburgo Olive com a exposição Corpos Bacantes reafirma o compromisso da Secretaria de Cultura com a valorização das artes visuais e com a diversidade de linguagens artísticas. A mostra dialoga com a identidade cultural brasileira, especialmente com o Carnaval, e convida o público a vivenciar a arte de forma sensorial e reflexiva”, considerou a secretária de Cultura, Waleska Freire.
Inspirada no Carnaval, a mostra reúne pinturas, esculturas e cerâmicas que exploram o movimento, a sensualidade e a energia dos corpos em festa. Segundo Ignacio, a relação com a folia brasileira, especialmente o Carnaval do Rio de Janeiro, é antiga e determinante em sua trajetória artística.
“O impacto maior veio quando vi o Carnaval de perto. Eu já acompanhava pela televisão, mas estar ali, ver uma bateria entrando, sentir o ritmo do samba e a força das cores foi algo grandioso”, relata o artista. A experiência direta com os desfiles e blocos ampliou seu olhar sobre o corpo em movimento, tema central de sua pesquisa artística.
Na série Corpos Bacantes, Ignacio parte da observação do real — ritmistas, passistas e dançarinas — para, aos poucos, conduzir as formas ao campo da abstração.
“Destaco a sensualidade, as cores vibrantes, o ritmo e a música. Esses elementos aparecem tanto na pintura quanto na escultura, sempre buscando traduzir essa vibração dos corpos”, explica.
Pintura e escultura são destaques
O artista frisa que o diálogo entre pintura e escultura é um processo constante em seu trabalho. As formas observadas nas telas se desdobram em volumes na cerâmica e em outros materiais, numa tentativa de capturar o movimento e os contrastes presentes na folia carnavalesca. “É um processo de síntese, de transformar o que é figurativo em algo mais abstrato, sem perder a energia original”, afirma.
Ignacio também relembra trabalhos realizados em Macaé, como a instalação desenvolvida para a UTE Norte Fluminense, na qual utilizou bambu para criar curvas inspiradas no corpo em movimento, reforçando a relação entre arte, espaço e ritmo.
Radicado no Brasil há 20 anos, o artista colombiano é mestre em Escultura pela Universidade Nacional de Nariño, em Pasto, e ceramista pela CESMA. Com exposições no Brasil, na Colômbia e na Europa, Ignacio vê a abertura da programação da Galeria Hindemburgo Olive como um momento de diálogo com o público local. “É uma oportunidade de compartilhar essa pesquisa que desenvolvo há muitos anos e convidar as pessoas a se reconhecerem nesses corpos em festa”, expressa.
Além da experiência estética, Ignacio Zamudio frisa que a exposição também carrega um viés educativo e formativo. Segundo o artista, a proposta é ampliar o contato do público com diferentes linguagens artísticas e mostrar possibilidades práticas a partir da arte, especialmente da cerâmica.
De acordo com Ignacio, a cerâmica pode ser apresentada como uma alternativa criativa e até empreendedora, com aplicações que vão do campo artístico ao utilitário, como biojoias e objetos funcionais. Ele ressalta que esse diálogo se alinha às ações de formação cultural promovidas pelo município.
“A ideia é aproximar o público dos processos de criação e despertar a criatividade”, pontua.
Como parte dessa proposta, o artista pretende realizar atividades práticas durante o período da exposição, incluindo demonstrações com torno de cerâmica e encontros com estudantes. A iniciativa busca mostrar, de forma direta, como as obras são produzidas e como diferentes técnicas se conectam.
Ignacio também salienta o caráter eclético de sua produção e a forte influência da natureza em seus trabalhos mais recentes. Vivendo em contato com a Mata Atlântica, o artista incorpora elementos orgânicos às peças, transformando formas naturais, como folhas, em esculturas e objetos cerâmicos de grandes dimensões.
“As formas partem da observação da natureza e ganham novos sentidos na arte contemporânea”, observa. As peças exploram curvas, volumes e esmaltes de alta temperatura, conhecidos como grês, resultando em obras que transitam entre o funcional e o artístico, convidando o espectador a uma apreciação sensorial e reflexiva.
As obras expostas estão à venda, incluindo tanto as telas quanto as peças em cerâmica. Os interessados podem entrar em contato diretamente com o artista pelo telefone (22) 97099-081.


