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Hospital São José do Avaí

          A primeira reunião para se tratar da fundação de um hospital em Itaperuna, realizou-se no dia 6 de agôsto de 1925, convocada pelo Dr. Diogo Soares Cabral de Melo, então Juiz de Direito nesta Comarca, que o fêz, sob a invocação da Conferência de São Vicente de Paula. Nessa reunião, foi, desde logo, aclamada pelos presentes, a seguinte diretoria provisória: Presidente, Dr. Diogo Soares Cabral de Melo; Vice-presidente, Dr. Raul Travassos da Rosa; Secretário, Dr. Rômulo de Magalhães Pacheco, e Tesoureiro, Tenente Emílio dos Santos Silva.
          Além dêstes, se achavam presentes, entre outros, os Srs. Antônio Maria da Costa (farmacêutico), Orbílio Barreto Peixoto, João Alonso Campos, Orlando Barreto Peixoto, José Flausino da Silva e Fernando Godefroy da Costa.
          Em 10 de setembro do citado ano, fundava-se, definitivamente, a Conferência, com o fim de praticar a caridade por todos os meios e modos ao seu alcance, continuando a mesma diretoria, eleita anteriormente
Desde a sua fundação tomou a Conferência diversas famílias pobres, a seu cargo, fornecendo-lhes gêneros, roupas, remédios e assistência médica.
          O edifício próprio, em que está o hospital até hoje, foi inaugurado em 26 de agôsto de 1928, e foi bento pelo padre Salustio Francisco dos Santos Mota, vigário desta freguesia.
          A despeito dos esfôrços de seus idealizadores, as obras do prédio próprio se faziam muito lentamente, pela carência de recursos financeiros, razão porque o então Deputado Porphirio Henriques apresentou um projeto de lei à Assembléia Legislativa do Estado do Rio concedendo ao hospital, a importância de Cr$ 30.000,00 o qual foi convertido na lei n. 2 239, em 1 de dezembro de 1927, e com a qual foi possível concluírem-se as obras dêsse hospital. (Naquele tempo, essa importância eqüivaleria, atualmente, em 1956, à de Cr$ 600.000,00).
          A primeira sala de esterilização que o hospital teve foi doada pela colônia sírio-libanesa, por iniciativa dos comerciantes, Srs. José Mansur e Maron Neffá. Êste hospital, com o passar dos anos foi aumentando as suas possibilidades no campo da assistência médico-cirúrgico-hospitalar, dispondo hoje do seguinte: uma sala para operações, bem aparelhada; uma para partos; duas para curativos; uma para esterilização; 14 quartos particulares; quatro enfermarias com 52 leitos; para pobres (homens, mulheres e crianças); um berçário; uma secretaria; lavanderia, rouparia, necrotério e uma capela. E' administrado por uma diretoria, auxiliada por irmãs de caridade da Congregação do S.S. da Eucaristia. A sua contabilidade é feita pela contadora, Da. Iraní Ponciano de Jesus Ligiero, que tem como auxiliar a Srta. Marli Lengruber Abreu. A atual diretoria do hospital é a seguinte: Presidente, Galeno Tinoco Ferraz; Vice-Presidente, Ricardo da Costa Soares; 2º Vice-Presidente, José Câncio Barbosa Soares; 1º Secretário, A. Goulart Ligiero; 2º Secretário, Orsíne Tinoco Ferraz; 1º Tesoureiro, Carlito Crespo Martins; 2º Tesoureiro, José Carlos de Souza; Administrador, E. S. Figueira. Conselho Fiscal: Ruth Tinoco, Dr. Ney Monteiro de Barros e Antônio Brandão.
A propósito do projeto do Deputado Porphirio Henriques, em auxilio da construção do hospital, recebeu aquêle parlamentar, do Dr. Rômulo Magalhães Pachêco, advogado no fôro de Itaperuna e secretário do hospital, o oficio seguinte: - "Conferência São José do Avaí, em Itaperuna, 31 de dezembro de 1927.
Exmo. Sr. Major Porphirio Henriques. Tenho o prazer de comunicar a V. Excia. que, por ordem do Sr. Presidente, foi consignado em ata da 76.a sessão desta Conferência, um voto de agradecimento pela iniciativa de V. Excia., apresentando o projeto de auxílio ao Ambulatório que estamos construindo e que foi convertido na lei n.º 2.239, de 1 de dezembro de 1927. Valho-me do ensejo para os meus protestos de consideração. Saudações
          A êste ofício, deu o Deputado Porphirio Henriques, a seguinte resposta: - "Exmo. Sr. Dr. Presidente e Membros da Conferência de São José do Avaí. Acabo de receber a comunicação que me fêz o Dr. Secretário dessa Conferência, de haver sido consignado na ata de sua 76ª sessão, de um voto de agradecimento a mim, por ordem do seu Presidente, pela minha iniciativa, concedendo auxilio de trinta contos de réis, para as obras do hospital dessa Conferência, era em construção, nessa cidade. Agradecendo êsse gesto de alta fidalguia, da Conferência de São José do Avaí, que se compõe dos elementos mais representativos de minha terra, sinto-me no dever de,- aproveitando a oportunidade que se me oferece, historiar as demarches dêsse projeto, e as dificuldades que tive de vencer para conseguir a sua aprovação, a fim de que as gralhas não continuem a enfeitar-se com as penas do humilde e desprentensioso pavão...
          Quando ingressei na Assembléia Legislativa do Estado, levava o cérebro povoado de ilusões e ingenuidades criadas pelo desejo intenso de ser útil à terra onde nasci e tenho vivido, na longa e atribulada existência, pensando em apresentar à consideração da Assembléia um número apreciável de projetos de utilidade pública, todos de interêsse de Itaperuna, a começar pela construção do Forum e o auxilio às obras dêsse hospital.
          Para êsse fim dirigi-me à casa do ex-deputado Joaquim de Melo, presidente do diretório do partido do govêrno, nesse Município, e, depois de expor os motivos de minha visita, lhe solicitei apoio para apresentar os dois projetos à consideração da Assembléia, a fim de ser conseguida a aprovação dos mesmos.
Disse-me o Sr. Melo: "Pode apresentar êsses dois projetos, apenas para fins políticos, sendo de vinte contos o de auxilio às obras do hospital".
          Discordei de sua opinião, e não mais toquei no assunto, com êle. Estavamos no comêço da sessão legislativa. Três dias antes do encerramento de seus trabalhos, sem tempo, portanto, para aprovação dos projetos, e para não parecer que êles tinham apenas fins políticos, lancei-os à consideração da Assembléia, que, depois de julgá-los objeto de deliberação, mandou-os às respectivas Comissões, onde ficaram dormindo o sono do esquecimento. No dia seguinte, encontrando-me, o Sr. Melo lembrou-me a sua declaração de que o projeto de auxilio ao hospital devia ter sido apenas de vinte contos de réis, e não de trinta, como apresentei, respondendo-lhe eu, irônicamente, "que, em se tratando de projetos para fins políticos, tanto fazia que fôssem de vinte, trinta ou cem contos..."
          Encerrou-se a sessão legislativa, e não mais se falou no assunto.
          Por ocasião da visita presidente do Estado, Dr. Feliciano Sodré, a êsse Município, S. Excia. me autorizou a dar andamento do projeto na futura sessão legislativa. Esperei até ao fim dessa sessão, que as Comissões dessem parecer, como lhe cumpria, mas, não o fazendo, requeri, na forma do Regimento, que êsses projetos figurassem na Ordem do Dia seguinte, com ou sem pareceres. Deferido pelo Presidente, foram os projetos a plenário, sendo declarados reprovados pelo Deputado Álvaro Neves, então na presidência eventual. Apenas ouvi essa declaração, sem que a Assembléia se houvesse manifestado de modo claro, requeri verificação, e ficou constatado que não havia número na Casa para rejeição do projeto, cuja deliberação ficou adiada por 48 horas, com a aprovação do líder, que foi ouvir o govêrno, e, vencido êsse prazo de adiamento, foi, unânimemente, aprovado o projeto de auxílio.
          Faço esta digressão para que saibam os que falam contra êsse gesto do Presidente dessa Conferência, agradecendo a minha iniciativa, da apresentação, andamento e aprovação do projeto e da sua defesa no Plenário da Assembléia, do contrário, teria êle a mesma sorte que teve o do Forum, rejeitado em 1ª discussão. Pelo exposto, se conclui que essa Conferência nada me deve, porque nada me solicitou; tôda a minha ação foi espontânea e desinteressada, obedecendo apenas aos meus propósitos de vir em auxilio dos que trabalham pela grandeza de Itaperuna em 10 de janeiro de 1928."


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