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Curiosidades Página Inicial

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Um caso simgular: sineiro de sorte!

          Era um dia de festa na cidade, lá pelo ano de 1892... O adro da igreja, regorgitava de povo que discreteava despreocupadamente, como em todo o povoado pequeno, sôbre diversos assuntos, enquanto aguardava a hora da missa solene. Em dado momento, um crioulo ainda moço, vestido de branco, de cujo nome já não nos recordamos, galpou a tôrre da igreja, que devia medir a altura de uns dez metros, e começou a tanger o sino, manobrando-o com perícia. Como é sabido, os grandes sinos são badalados de bôca para cima, impulsionados por uma corda que o sineiro conserva prêsa à mão para manter o seu equilíbrio. Para evitar o esgarçamento da corda, deram-lhe um nó na extremidade. Para impulsar o sino com mais segurança, o improvisado sineiro, fêz uma laçada na mão, deixando a ponta da corda com o nó para baixo, do lado em que estava prêsa ao sino, e, convencido de sua perícia na arte de tanger o bronze da cúpula sagrada, repicava festivamente o sino, chamando os fiéis retardatários ao cumprimento dos seus deveres religiosos.
Súbito, correu um "frisson" de pavor pela multidão que se comprimia no adro da igreja, fugindo em debandada a olhar espavorida para o alto.
          É que algo de anormal se passava lá pelas alturas...
          O sineiro, cuspido pela janela da tôrre, vinha voando no espaço, de braços abertos, em direção do povo aglomerado abaixo, aguardando o momento de entrar no templo para ouvir a missa.
A seguir, ouviu-se um grito abafado, e o baque surdo de um corpo que caía no meio do adro da igreja. Outra surprêsa ainda maior, estava reservada ao povo que acorreu para prestar socorro ao sineiro voador, quando observou que êle de pé, sorridente, tirava um lenço do bolso, e, com êle, limpava a poeira da calça, na altura do joelho que havia tido contato com o chão, dizendo: - "Não é que eu ia me machucando".
          Ao seu lado, porém, jazia estirada no chão, a golfar sangue, a doceira Henriqueta, que atravessava o adro naquele momento, trazendo na cabeça um grande taboleiro de dôces, sôbre o qual caiu o sineiro, esmagando a pobre doceira que recebeu todo o choque, servindo de anteparo ao crioulo, tocador de sino, que, por isso, saiu ileso.
          O povo é que, a êsse tempo, vendo a doceira em sangue, não estava pelos autos, e deu voz de prisão ao novo Ícaro que quase tirou a vida da pobre Henriqueta, além do prejuízo do custo dos dôces, trabalhos e lucros. O sineiro, que não se agradou da voz de prisão, deu às de Vila Diogo, e, de um salto, embrenhou-se na capoeira que havia nos fundos da igreja, desaparecendo, e, apesar de perseguido pelo polícia, não foi encontrado, e nunca mais a cidade teve notícia dêle.
          A doceira Hanriqueta, depois de receber os socorros urgentes, passados alguns dias, foi enviada para a cidade de Campos conseguindo restabelecer-se e viver entre nós por alguns anos até 1925, mais ou menos.
          O sineiro voou; impulsionado o sino com a corda prêsa à mão por uma laçada, em virtude de um descuido seu, virando-o para o lado oposto, e, sendo a corda curta e o sineiro não pudesse largá-la devido ao nó que havia em sua ponta, teve êste que acompanhar o trajeto do sino, em grande impulso, sendo o improvisado "artista" jogado pela janela da frente da tôrre, que estava aberta, um vez que, na virada do sino, estabelecido o equilíbrio, a laçada afrouxou, soltando a mão do sineiro que precipitou no espaço.
Se tal sineiro ainda vive, é possível que nunca mais tenha querido tocar sinos...


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